17 março 2025

Anita Garibaldi, a Heroína dos Dois Mundos

ANITA GARIBALDI

“A HEROÍNA DOS DOIS MUNDOS”


ANA MARIA DE JESUS RIBEIRO DA SILVA, nascida em 30 de agosto de 1821, em Morrinhos. Para alguns historiadores, esta localidade está situada na Coxilha Rica em Lages-SC, mas para a maioria dos historiadores, ela pertence ao município de Laguna-SC. No entanto, o consenso é de que Anita é catarinense. Filha do tropeiro Bento Ribeiro da Silva e Maria Antônia de Jesus Antunes, Ana foi obrigada a se casar com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar, aos 14 anos, após a morte do seu pai e diante das condições precárias que sua família passou a viver. O casamento durou 3 anos, pois o marido se alistou no Exército Imperial e Ana voltou para casa da sua mãe.

Em 1839, Ana conheceu Giuseppe Garibaldi, italiano que desembarcou no Rio de Janeiro em 1835. Garibaldi participou do movimento conhecido como “Revolução Farroupilha” que ocorreu de 1835 a 1845, período que foi proclamada a República do Piratini em 1836 (Porto Alegre - RS) e em 1839 a República Juliana (Laguna – SC), quando Garibaldi conheceu a Ana. Durante a guerra, Ana Maria Ribeiro da Silva que também se alistou na revolução como uma amazona intrépida que era, passou a ser chamada por Giuseppe Garibaldi de Anita (pequena Ana em italiano).

Unida a Garibaldi, Anita participou ativamente dos combates em Imbituba – SC e na batalha de Laguna. No combate de Curitibanos, às margens do rio marombas segundo escritos de Garibaldi, em 12 de janeiro de 1840, Anita estava grávida do primeiro filho (Dômenico Menotti que nascera posteriormente na cidade de Mostardas - RS), neste confronto, ela foi presa pelas tropas do Império, que alegavam que Garibaldi estava entre os mortos. Inconformada, pediu para verificar dentre os mortos para ter certeza e, ao conseguir escapar, fugiu a cavalo até Lages, reencontrou Garibaldi em Vacaria – RS. Após isso, seguiu para o Uruguai, onde oficializou seu casamento com Garibaldi, participou de outras batalhas e, em seguida, foi para a Itália onde participou da reunificação italiana.

Anita faleceu com apenas 27 anos um mês antes de completar 28 anos. Seus restos mortais foram sepultados sete vezes até o sepultamento, em 02 de junho de 1932 no monumento na Passeggiata del Gianicolo, em Roma, onde estão até hoje.

No monumento construído em sua homenagem por Mussolini, em Roma na Itália, há uma placa que menciona sua participação no Combate em Curitibanos.

Em Curitibanos, no dia 14 de fevereiro de 2020, na Praça da República em frente ao Museu Municipal, a trineta de Anita, a Sra Anitta Garibaldi, plantou um híbrido da “Rosa de Anita”, desenvolvida pelo biólogo italiano Giulio Pantoli em parceria com o Museo Renzi. O projeto “A Rosa de Anita” foi idealizado para comemorar o bicentenário do seu nascimento.

Por ocasião da inauguração do Monumento de Anita no Parque de Exposição Pouso do Tropeiro, o Trineto de Anita, Francesco Garibaldi Hibbert, filho da bisneta Anita Garibaldi Hibbert que é filha do neto Ezio Garibaldi, este é filho do último filho do casal Garibaldi, Riccioti Garibaldi, Francesco esteve presente e também repetiu o gesto, plantando mais um híbrido da “Rosa de Anita”.

Todas as atividades realizadas em razão do bicentenário de nascimento de Anita estão integradas a uma proposta maior de consolidar os “Caminhos de Anita”, criando uma rota turística pelas cidades percorridas pela heroína em Santa Catarina, em cidades no Rio Grande do Sul, passando pelo Uruguai e, finalmente pela Itália. (Veja o mapa abaixo).


Ainda em alusão ao bicentenário do nascimento de Anita, um projeto que só foi possível em 2025 com a disponibilização de recursos da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento a cultura) do governo federal por meio do Edital municipal, foi entregue uma escultura em madeira, homenageando Anita Garibaldi pela sua passagem por Curitibanos. A escultura feita em madeira pelo escultor curitibanense Aldo Dolberth com a pintura de sua esposa, Solange Fonseca Appio Dolberth. A madeira utilizada foi proveniente de uma Araucária caída pelo vento. A araucária foi escolhida por ser a árvore símbolo de Curitibanos, que outrora já foi a capital da madeira, figura também no brasão e na bandeira oficial do município com os dois pinheiros. (araucária angustifolia).

O Tronco foi tratado em autoclave com vácuo-pressão em CCA, na empresa curitibanense Terra OX, garantindo sua durabilidade por várias décadas. A escultura procurou retratar o que está transcrito na placa junto ao monumento que tem a escultura em ferro do artista curitibanense Gabriel Platchek, no Parque Pouso do Tropeiro, alusivo ao bicentenário de nascimento de Anita: “No Bicentenário do nascimento de Anita Garibaldi (1821-2021), o povo de Curitibanos presta sua homenagem a heroína dos dois mundos. Na Fazenda da Forquilha, hoje Capão da Mortandade, em 12 de janeiro de 1840, ocorreu sua prisão e posteriormente sua fuga. A homenagem é justa pelo fato que Anita transcende sua época. É exemplo no amor e na ideologia. Mãe guerreira, lutou contra a fome, a doença, o medo e o desânimo. Heroína mas, ao mesmo tempo, frágil e humana.

Com esse legado, a escultura retrata esta importante personagem da história, a mulher catarinense, sua passagem por Curitibanos, as cores do movimento e das bandeiras, mãe e heroína.

Curitibanos, março de 2025


ALDO DOLBERTH — ESCULTOR


Referência Bibliográfica:

CADORIN, Adílcio. Anita: guerreira das repúblicas e da liberdade. 5 ed. Santa Catarina: CulturAnita-Instituto Cultural Anita Garibaldi, 2020. 320p.


ESTE PROJETO FOI CONTEMPLADO NO EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO 01/2024 — “PNAB — POLÍTICA NACIONAL ALDIR BLANC/MUNICÍPIO DE CURITIBANOS-SC